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Livre Pensador, interessado em estimular o pensamento e o questionamento. Nunca se cansando de perguntar - por que?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A ANGUSTIA DA PATERNIDADE

A Angustia da Paternidade

As concepções de inferioridade da mulher povoam toda a história da humanidade. Desde as narrativas míticas, de que o mito de Pandora é um exemplo, a mulher tem sido considerada não só como inferior, mas também como uma ameaça constante ao homem. A concepção Aristotélica da inferioridade física e moral da mulher (por falta de calor e excesso de humidade) foi uma das mais influentes da história ocidental. Mas as concepções de inferioridade da mulher multiplicam-se, mesmo nas sociedades que não sofreram a influência grega. Uma pergunta inevitável é: porquê? Porque é que a mulher sempre foi vista como inferior e, de algum modo, perigosa? Porque é que os homens se esforçaram por dominar as mulheres?
Nalgumas tribos existem mitos segundo os quais a superioridade do homem foi antecedida pela superioridade da mulher, superioridade esta de tal modo tirânica que justificaria a dominação presente do homem. Um exemplo de um mito deste tipo pode ser encontrado na tribo dos Ona estudada por Anne Chapman: "Na origem, explica Anne Chapman, os homens eram postos em abjecta submissão e eram obrigados a fazer todos os trabalhos, incluindo os domésticos, e serviam as suas esposas, reclusas na grande casa das mulheres de onde saíam os rugidos de máscaras aterrorizantes. A Lua dirigia as mulheres. Isto durou até ao dia em que o Sol, homem entre todos os homens, que trazia a caça para junto da cubata iniciática para alimentar as mulheres, surpreende a troça das jovens sobre a credulidade dos homens e compreende que as máscaras não são a emanação de forças sobrenaturais aterradoras dirigidas contra os homens, mas apenas um subterfúgio utilizado pelas mulheres para os manter em estado de dependência. Os homens estrangularem então todas as mulheres, à excepção de três jovenzinhas, e inverteram os papeis. A Lua voltou para o céu, onde continua sempre a tentar vingar-se (os eclipses do Sol são disso a prova)" Héritier, Françoise, "Masculino/Feminino", 15-16
Segundo os evolucionistas do século XIX a humanidade teria passado por um estado inicial marcado essencialmente pela ignorância da paternidade fisiológica que levava a um "culto das deusas-mães" e à dominação feminina. No entanto, os estudos antropológicos sobre os vários tipos de sociedades conhecidas nunca encontraram um exemplo totalmente matriarcal. Existem sociedades em que as mulheres são consideradas iguais aos homens, em maior ou menor grau, mas não se encontrou nenhuma em que a mulher fosse dominante a todos os níveis.
Olhemos então para o caso das sociedades em que algumas mulheres tinham um papel tão importante como o dos homens. Essas sociedades demonstram uma peculiaridade interessante que caracteriza invariavelmente essas mulheres.
Um dos casos é o das Iorquesas. As mulheres Iorquesas que pertencem à mesma linhagem, habitam com os seus maridos e filhos numa casa dirigida pelas "matronas". Estas matronas possuem representação no "Grande Conselho dos Anciãos", controlam a economia através do controlo de mantimentos, e possuem o direito de veto no que respeita à guerra. Outro caso encontra-se nos índios canadianos Piegan. Estes índios vivem numa sociedade patriarcal e, no entanto, existem algumas mulheres que não têm o papel subordinado comum. A estas dá-se o nome de "mulheres com coração de homem" e o seu comportamento é em tudo semelhante ao dos homens: "Não têm contenção nas palavras nem nos atos (algumas urinam publicamente, cantam cantos de homem e intervêm nas conversas masculinas). Este comportamento existe pari passu com um domínio perfeito das tarefas tanto masculinas como femininas que elas executam. Fazem tudo depressa e melhor que as outras. Orientam os seus próprios assuntos sem o apoio dos homens e por vezes até nem deixam que o marido empreenda seja o que for sem o seu consentimento. Pensa-se que sejam ativas sexualmente e não convencionais no amor, mas elas próprias aspiram a uma maior virtude do que as outras mulheres. Não temem, em caso de adultério, ser arrastadas na praça pública porque se as acusam estão prontas a defenderem-se através da feitiçaria. Não temem também as consequências místicas dos seus atos. Finalmente, têm o direito, tal como os homens, a organizar danças ao Sol e a participar nas ordálias. Elas têm a "força"".
Para se ser uma "mulher com coração de homem" é necessário ser casada (elas casam várias vezes e em geral com homens bastante mais novos), ter uma elevada posição social (ter tido enquanto jovem um bom dote de cavalos) e ter mais de cinquenta anos ou ser estéril. Segundo Héritier existem mais casos em que as mulheres estéreis têm uma posição de poder. Ser estéril parece ser a peculiaridade interessante que caracteriza essas mulheres. Esta constatação leva à ideia de que a necessidade do homem de dominar a mulher está relacionada diretamente com a maternidade.
De facto, o controle social da fecundidade das mulheres pode ser considerado como essencial pelo menos nas primeiras sociedades. Isto porque, segundo os antropólogos, o parentesco é a matriz essencial de qualquer relação social. As tribos não podem reproduzir-se exclusivamente dentro de si próprias (o incesto constante levaria ao desaparecimento da tribo). Como tal, a base da relação das tribos entre si está na troca de mulheres fecundas. Mas, para a união da tribo é necessário garantir a paternidade, principalmente a paternidade dentro da tribo e não, por exemplo, numa tribo inimiga. Para tal, é necessário que as mulheres estejam sobre a dominação dos homens, isto não porque elas sejam consideradas promíscuas à partida, mas porque a maternidade é evidente e a paternidade é apenas aparente.
A evidência da maternidade em contraste com a apenas aparência da paternidade encontram expressão no artigo do Prof. Pina Cabral "A lei e a paternidade". Neste artigo são apresentadas as máximas latinas que representam aquilo a que chamo "angústia da paternidade". Uma dessas máximas é mater semper certa est, pater nunquam ("a mãe é sempre certa, o pai nunca"). É por essa razão que juridicamente a filiação materna é sempre uma declaração enquanto a paterna é um reconhecimento. O casamento é também uma forma de tentar garantir a paternidade: pater is est quem nuptiae demonstrant ("o pai (da criança) é o que se demonstrar estar casado (com a mãe)).
A angústia da paternidade é apresentada por Rousseau como a justificação da dominação da mulher pelo homem. Rousseau exprime essa angústia no estilo eloquente que lhe é usual: "Se há um estado horrível no mundo, é o de um desgraçado pai que, sem confiança na mulher, não ousa entregar-se aos doces sentimentos do seu coração, que duvida, ao beijar o seu filho, se está a beijar o filho de outro, a testemunha da sua desonra, o usurpador do bem dos seus próprios filhos. Neste caso, o que é a família senão uma sociedade de inimigos secretos que uma mulher culpada arma, um contra o outro, forçando-os a fingir amar-se mutuamente?" Emílio, 186.
A angústia da paternidade parece assim ser a resposta às perguntas iniciais: Porque é que a mulher sempre foi vista como inferior e, de algum modo, perigosa? Porque é que os homens se esforçaram por dominar as mulheres? O esforço masculino de domínio sobre o feminino parece ser uma tentativa de evitar a angústia da paternidade. Afinal a sabedoria popular portuguesa diz: "Filhos de minhas filhas meus netos serão, filhos de meus filhos serão ou não".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AMOR HUMANO

AMOR HUMANO

Nem posso dizer, se a expressão "Amor Humano"  contradiz, ou fere alguma regra do Vernáculo.
O que eu espero, é poder passar adiante, o meu ponto de vista à respeito deste divino sentimento, que como já tive oportunidade de dizer, “desafia as leis matemáticas e se multiplica a medida em que é dividido”.
Mas não imagine de imediato, que o amor a que me refiro, é o mesmo que nos acostumamos a identificar no dia-a-dia, como o amor conjugal, paternal, filial, mesmo fraternal quando a fraternidade é consaguinea, este amor decantado nas artes; este é o amor a que nos acostumamos a identificar - este é um amor “a posteriori”.
Eu me refiro ao amor que não enxergamos, que não percebemos, porque somos condicionados à escondê-lo; eu me refiro àquele amor que faz parte “a priori” - do ser humano, independente do relacionamento que este ser humano possa vir a ter por alguém, ou por alguma coisa; eu me refiro ao amor de dimensões divinas, ao amor que um membro da espécie humana sente por outro membro da espécie humana  bem assim -  como um instinto básico de preservação que está presente no inconsciente coletivo.
Não o amor que aprendemos a sentir, mas aquele que já nascemos com ele.
Eu me refiro ao amor que faz com que  ao vermos um desconhecido ser atacado por um enxame de abelhas, imediatamente partilhamos do mesmo desespero desse desconhecido, e procuramos, à custa de muita dor, socorrê-lo.
Eu me refiro ao amor que faz com que um bombeiro entre nas chamas para arrancar daquele inferno uma pessoa que ele nunca viu, e talvez nunca mais a veja. 
A crueldade da vida faz com que abafemos este amor. Somos levados a crer, que este amor a que me refiro, é demonstração de fraqueza.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro sem nos preocuparmos com melindres ou suscetibilidades, então não mais haverão crianças abandonadas; não mais haverão humanos em condições sub-humanas.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, poderemos nos apresentar como membros da espécie humana  sem sentir vergonha - a qualquer extra terrestre.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, poderemos olhar para um espelho.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, então e só então poderemos nos orgulhar de sermos humanos.

                                                   Ivan Viveiros
                                       Lins, 03 de julho de 1993
Publicado no Correio de Lins em 13 de julho de 1993 em coluna aberta com o título de "Amor Humano", onde o título original do artigo, foi mudado para "Amor Gratuito".

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Conhece-te a ti mesmo !!!!

Um sofista se aproximou de Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia Antiga, e intentou confundilo com as perguntas mais difíceis. Porém o Sábio de Mileto esteve à altura da prova porque respondeu a todas as perguntas sem a menor vacilação e assim mesmo com a maior exatidão.
1  Qual é a coisa mais antiga?
  •  Deus, porque sempre tem existido.
2  Qual é a coisa mais formosa?
  •  O Universo, porque é obra de Deus.
3  Qual é a maior de todas as coisas?
  •  O Espaço, porque contém todo o Criador.
4  Qual é a coisa mais constante?
  •  A esperança, porque permanece no homem depois que haja perdido todo o mais.
5  Qual é a melhor de todas as coisas?
  •  A Virtude, porque sem ela não existe nada de bom.
6  Qual é a mais rápida de todas as coisas?
  •  O Pensamento, porque em menos de um minuto pode voar até o final do Universo.
7  Qual é a mais forte de todas as coisas?
  •  A Necessidade, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.
8  Qual é a mais fácil de todas as coisas?
  •  Dar conselhos.
Porém, quando chegou à nona pergunta, nosso Sábio disse um paradoxo. Deu uma resposta que, estou seguro, não foi jamais entendida pelo mundano interlocutor, e que, para a maioria das pessoas terá um sentido superficial. A pergunta foi esta:
9  Qual é a mais difícil de todas as coisas?
E o Sábio de Mileto replicou:
  •  Conhecer a si mesmo.
E ele estava coberto de razão, nada mais difícil de que termos um total conhecimento de nós.

Procure conhecer a si mesmo, esse será seu exercício de aprimoramento!! 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre a Navalha de Ockham

Sobre a Navalha de Ockham

A Navalha de Ockham da maneira como foi popularizada pela ciência (um tanto diversa da sua formulação original) diz que entre duas teorias que explicam igualmente os mesmos fatos, a mais simples é a correta. Em outras palavras, se uma explicação simples basta, não há necessidade de buscar outra mais complicada. A Navalha também é conhecida por "Princípio da Economia".
Um exemplo clássico do uso deste principio pode ser visto na discussão histórica em torno da estabilidade do Universo. Isaac Newton, um gênio da física mas também um homem profundamente místico, estava convencido de que os planetas não poderiam permanecer imutavelmente em suas órbitas sem a interferência de Deus. Imaginava o Universo como um relógio (uma invenção relativamente moderna em sua época), o qual Deus teria posto em movimento na Criação e que precisava ser corrigido de tempos em tempos, tal qual um relógio que precisa de corda para continuar funcionando. Sem Deus agindo como um relojoeiro celeste, calculara Newton, os planetas, acabariam arrefecendo seu movimento devido às mútuas influências gravitacionais, desviando-se de suas órbitas até colidirem entre si. Foi somente um século depois de Newton, que Pierre Simon de Laplace mostrou, com a ajuda de métodos matemáticos de aproximação, que se os planetas não se desviavam de suas órbitas era porque as interferências gravitacionais entre eles se compensavam e anulavam-se a longo prazo. Quando indagado por Napoleão sobre por que Deus estava ausente de sua teoria, Laplace respondeu: "Sire, não precisei desta hipótese".
Laplace havia aplicado a "Navalha de Ockham" à sua cosmologia: entre duas teorias, uma que exigia a existência de uma superentidade vigilante para criar e manter o universo em movimento e outra que podia conter os fenômenos observados sem incluir hipóteses adicionais, Laplace escolheu a segunda, aquela com o mínimo de suposições necessárias para explicar todos os fatos observados, ou seja, aquela com o menor número de "razões suficientes".

Logicamente Isaac Newton não desconhecia a Navalha de Ockham, até mesmo tinha sua própria versão dela: "Não se deve admitir mais causas às coisas da natureza que aquelas que forem tanto verdadeiras quanto suficientes para explicar sua aparência."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

INVERNOS EXISTENCIAIS

Por mais bela e florida que seja a primavera, o verão sempre pede passagem e traz consigo os dias quentes.

E mesmo que desejemos reter os dias ensolarados e agradáveis, aproxima-se o outono e, obedecendo a um chamado superior, instala-se, silencioso e decidido...
Depois de um lindo espetáculo de cores, as folhas caem, vencidas, transformando a paisagem... E o outono também parte...
Soberano, logo aparece o inverno e se faz sentir das mais variadas formas, com seus dias frios e cinzentos.
Passa o tempo e outra vez o espetáculo colorido de folhas e flores anunciam que a primavera está de volta...
E é assim que os ciclos das estações se repetem e trazem oportunidades de aprendizado para todos os seres vivos.
Semelhante às estações, o nosso viver também tem primaveras, verões, outonos e invernos...
Mas nem sempre percebemos as lições que cada estação enseja, e nos desesperamos diante dos dias frios e cinzentos dos invernos existenciais.
A primavera é agradável, não há dúvida. Flores e perfumes tornam nossos dias mais alegres.
No entanto, se as flores surgem na primavera, é no inverno que acumulam as horas de frio necessárias para fazer brotar a gema floral com o choque térmico no início da nova estação.
Sim! Se não fosse o frio não teríamos alguns tipos de flores e frutos.
O frio "quebra" a dormência das gemas que originarão a folhagem e os frutos na primavera, quando folhas e flores enfeitam a paisagem.
É assim que nós também podemos utilizar os invernos existenciais para favorecer a floração das virtudes que embelezam a nossa vida e nos trazem alegria...
Para as plantas, a escassez de umidade, o frio e a baixa luminosidade, ocasionadas pelo inverno, são qual jardineiro que desperta a vida adormecida em sua intimidade.
É assim que árvores e plantas perdem galhos e folhas, mas garantem floradas em todas as primaveras...
Por vezes, os seres humanos também passam pelos invernos existenciais e perdem temporariamente a exuberância. Sentem-se como uma árvore desfolhada, sem flor nem perfume...
Mas que importa se a vida que pulsa, além das aparências, está se preparando para produzir flores mais belas e perfumadas nas primaveras vindouras?
Geralmente são os dias mais difíceis que acordam em nós as sementes adormecidas da esperança...
Não há dúvida de que os dias ensolarados e alegres são encantadores, mas são os dias difíceis que mais desafiam as nossas potencialidades e quebram a concha da nossa acomodação...
O sofrimento que nos fustiga a alma é abençoado aguilhão que nos faz despertar para os valores reais da vida.
Assim, diante dos açoites do inverno, pense nas preciosas lições da natureza.
Observe as árvores desfolhadas, quais esqueletos nus na paisagem cinzenta e sem brilho, mas em pé... Firmes e cheias de esperança.
Suportam os ventos, a chuva, o frio e a falta de luz, mas conservam a seiva da vida na intimidade...
Instintivamente aguardam o retorno da primavera que, com sua brisa morna, vem acariciar as flores e fazê-las frutificar...

Aproveite os dias ensolarados para armazenar o vigor que lhe sustentará nos invernos existenciais...

E quando os dias escuros surgirem na sua vida, não permita que a tristeza lhe roube a esperança de ver surgir, outra vez, a primavera...
Lembre-se que mesmo nos dias nublados, o sol está sempre à espreita, esperando sua vez de brilhar e espalhar vida por sobre toda a natureza...


domingo, 23 de novembro de 2014

A verdade de Platão


"Não existe verdade absoluta", já dizia Platão.
Esse seria o primeiro item que gravaria em mim para nunca mais esquecer.
Não existe verdade absoluta, assim como não existe certo e errado.
O que existe é o ser humano, sua consciência e seu enorme leque de escolhas.
Em segundo lugar, quero lembrar-me sempre que a vida não está no nosso trabalho, nas nossas festas e nem nos planos que fazemos para o futuro.
A vida é o que acontece a cada segundo, a cada respiração, a cada sentimento.
E nós somos essa experiência diária. Somos a liberdade do vento que nos corta, a imensidão do céu e a grandeza do amor. Nós somos a parte mais complexa e mais intensa do universo.
E que universo!
Olho em volta e consigo enxergar uma magia em tudo que acontece. Até naquelas situações que avaliamos como negativas.
Pare e veja! Se prestarmos atenção veremos que tudo que acontece é uma pecinha que completa um quebra-cabeça.
E que a cada peça ele vai tomando forma. É como se cada passo nosso estivesse interconectado com uma lei própria, cronometrado em uma sincronia incrível.
Os amigos, os amores, a família... A vida vai dançando a música que escolhemos com uma melodia harmônica.
E é essa a percepção que proporciona a alegria de viver. A alegria de ser único, inteiro e completo.
E também de poder acrescentar, de ser parte de algo maior e muito além de nossa compreensão racional.
As opções estão aí. 
Escolhi como verdade as palavras que escuto nas entrelinhas e no silêncio.
Escolhi que o certo é o que o coração fala e a cabeça pondera.
Escolhi ser a parte do universo que acredita e que é feliz simplesmente por existir.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AMOR NATURAL


Para que eu possa expressar meu ponto de vista hoje, faz-se necessario que recorra a uma fábula, que ouvi não sei onde, mas que como tantas outras estórias sempre guardo na memoria com os ensinamentos que proporciona.
 
"Na margem de um rio, um Escorpião desejoso de atravessá-lo avaliava suas possibilidades, sem no entanto lograr algum exito. Afinal é sabido que o Escorpião não consegue nadar !
Estando em sua faina permeando a margem, na infrutífera busca de condições para atravessar a vau, encontra-se com uma Rã.
 - Senhora Dona Rã, gostaria de solicitar encarecidamente a utilização de seus tão decantados préstimos no sentido de transportar-me até a outra margem. Inconveniente que sem dúvida ser-lhe-á pago regiamente.
- Ora Senhor Escorpião, me causa estranheza o senhor esperar que eu atenda à esta sua solicitação, pois é conhecido o seu mau gênio, e com certeza transportá-lo em minhas costas seria suicídio !
- Senhora Dona Rã, veja que sou eu o necessitado neste instante, e se estou a pedir-lhe, claro está que eu iria antes defendê-la, que agredi-la, pois disto depende eu seguir ou não meu caminho !
- Pois bem, senhor Escorpião - veja lá. Suba em minhas costas.
Quando a Rã se encontrava no meio do rio, sentiu uma dor aguda em seu dorso, e compreendeu de imediato o que havia ocorrido.
- Senhor Escorpião, então o senhor não cumpriu com a sua palavra! Acabo de sentir o seu ferRão! Não percebe que agora eu irei morrer, e consequentemente o senhor também irá ?!?
- Senhora Dona Rã, eu sei que agora, em virtude do meu veneno, a senhora irá morrer, e inevitavelmente irá me arrastar para o fundo. A minha morte é apenas uma questão de tempo. Provavelmente eu morrerei ainda antes que a senhora! Mas entenda Dona Rã, embora eu saiba que vou morrer, aguilhoar, faz parte da minha natureza !"
 
Pois bem, faz parte da natureza do Escorpião aguilhoar.
É natural ao Escorpião defender-se, e sua arma natural, é seu ferRão e seu veneno. E ele sabe disto!
Da mesma forma, amar faz parte do ser humano e partilhar seu amor é tão natural quanto respirar. O ser humano sente-se desajustado, quando está impedido de comungar com seu semelhante, do sentimento mais nobre e mais proprio da sua natureza.
Amar faz parte do ser humano. Entretanto, os animais têm seus instintos, e a preservação da espécie depende da manutenção destes instintos. Os instintos animais são tão mais fortes, quanto mais natural for o modo de vida e a existência das especies.
O homem, é o único animal, que talvez por causa de sua discutível racionalidade abanDona seus instintos e deixa-se levar pelas aparências, pela conveniência e - desgraçadamente -, deixa-se conduzir pela influência de outros individuos da mesma especie.
Não é natural o ser humano invejar os bens de outros. Não é natural que um ser humano deseje para sí alguma coisa que não lhe pertença, apenas pelo fato de que em algum momento, por alguma razão alguém teve condições de possuir.
Em minha casa, nós temos um dormitorio que no momento não está sendo ocupado. Eu jamais admitiria que um indivíduo, por maior que fossem suas dificuldades, tomasse de assalto a minha residência para ocupar aquele aposento.
Da mesma forma, no meu conceito de democracia, de liberdade e de justiça, não se enquadra sob nenhuma circunstância a ocupação de terras, seja qual for a bandeira que sombreia (ou acoberta) os ocupantes. A imensa e esmagadora maioria das pessôas que acompanham tal movimento, nunca tiveram contato com a lavoura! Jamais tiveram a intenção de tranformarem-se em lavradores! “Foram conduzidos, como cordeiros à um altar de sacrifícios” pelas mãos de algum pastor (?) provavelmente interessado em valer-se dos resultados pretendidos.
O direito destas pessôas possuirem terras, casas, carros, telefone, ou qualquer coisa que desejarem é natural e indiscutivel. Tomar posse de qualquer bem que não lhe pertença valendo-se da força e escudado na desculpa de que tal bem não está sendo usado, é inadmissível.
Tal comportamento é revoltante, é agressivo, é inaceitavel !
Tal comportamento não faz parte da natureza humana.
Tal comportamento não expressa o amor.
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


O mito da neutralidade da ciência


É lícito afirmar que a neutralidade científica é um mito? Comentando os textos de Lévy-Leblond e Marcuse.

Todo cientista é um ser humano, antes de ser um cientista, ou seja, é um ser concebido no seio de uma sociedade, que possui por sua vez uma realidade social, econômica de cultura que irão influenciar juntamente com as motivações, vivencias pessoais as diversas escolhas e decisões que terá que fazer seja como cientista ou como simples cidadão. 
Segundo Antônio Joaquim Severino, a existência humana se desenvolve em três dimensões:  
* Prática Social - Ao produzir seu meio de subsistência, os homens estabelecem entre si relações que são funcionais e caracterizada por um coeficiente de poder; 
* Prática Produtiva - Pelo trabalho, os homens interferem na natureza com vistas a prover os meios de sua existência material, garantindo a produção de bens e a reprodução da espécie; 
* Prática Simbolizadora - As relações produtivas e sociais são simbolizadas em nível de representação e de apreciação valorativa. São os conjuntos de valores, crenças, ideologias, forma de interpretar e ver o mundo que visando à significação e legitimação da realidade social e econômica vivida pelo homem.
Essas três dimensões se articulam intimamente entre si, de tal modo que o desenvolvimento de cada uma repercute sobre as outras, num processo dialético permanente. Assim, se o modo de produção, de um lado, repercute no modo de formação social e se ambas repercutem sobre o modo de representação subjetiva dos homens, de outro, as suas representações mentais interferem na sua organização social e na sua atividade produtiva.
O cientista está inserido dentro dessas dimensões; a ciência também se desenvolve dentro dessas dimensões e não separada delas. Cada descoberta, avanço e aplicações das ciências impactam a vida do homem nas suas dimensões sociais, culturais e produtivas, gerando benefícios e malefícios.
O desenvolvimento do conhecimento e sua aplicação prática, especialmente, no sistema produtivo no período da revolução industrial, não causou impacto somente na prática produtiva, mas alterou também a realidade social, a saída do campo para cidade, o trabalho artesanal e feito em casa para o trabalho nas linhas de produção feito na fabrica, bem como alterou a visão do mudo, os valores. 
A concepção da ciência como dominadora da natureza e serviço do desenvolvimento econômico e fortalecimento do sistema produtivo capitalista tem trazido o progresso, porém, tem trazidos sérios problemas que colocam em risco a nossa existência na terra. 
Quando os cientistas em sua torre de marfim pensam que estão livres das questões sociais, políticas e culturais e pensam fazer a ciência pura, no mínimo estão escolhendo do lado daqueles que tomaram a decisão de aplicar esses conhecimentos. A neutralidade não existe, pois o não posicionamento, já é por si só um posicionamento a favor daqueles que iram se beneficiar da renuncia ética daqueles que pensam fazer a ciência pela ciência. 
Segundo os autores Jean Marc Lévy-Leblond e Marcuse, o cientista é responsável socialmente pelo o resultado de suas pesquisas e possui sim motivações pessoais, status, poder, dinheiro, reconhecimento, etc. e não motivações puras de conhecimento. 
Leblond em seu pronunciamento à academia de Lyon em 13 de janeiro de 1970, esboça bem o questão do mito da neutralidade da ciência.
Nesse discurso o autor faz uma critica audaciosa e mordaz aos cientistas que julgam fazer a ciência pura, ou seja a ciência descontextualizada de realidade econômica, social e cultural e sem quaisquer outros interesses a não ser, no dizer de Leblond, provocar a curiosidade de uns vintes especialistas em todo mundo.
Com argumentos claros e fundamentados desmonta o mito da neutralidade científica e põem em xeque a ideia de que a ciência desempenha atualmente um papel fundamental na evolução da sociedade e é o motor essencial de seus progressos.
Para Leblond como para Marcuse a atividade científica, como qualquer outra não está separada do conjuntos do sistema social em que se pratica. Leblond considera que o fato do cientista está ou não consciente das forças a serviços dos quais trabalha, não isenta de ser seu cúmplice. O mesmo entendimento é compartilhado por Marcuse. 
A proposição que desejo apresentar é a seguinte: a ciência (isto é, o cientista) é responsável pelo uso que a sociedade faz da ciência; o cientista é responsável pelas consequências sociais da ciência. 
Em outubro de 1952, tomou parte na Conferência da Ásia e do Pacífico pela Paz, um cientista, Joan Hinton, que tinha participado da fabricação da primeira bomba atômica em Lós Alamos. Vejamos o que ele disse: 
“Trabalhei com minhas próprias mãos na primeira bomba lançada sobre Nagasaqui. Experimento um profundo sentimento de culpa e tenho vergonha de ter desempenhado tal papel na preparação desse crime contra a humanidade. Por que aceitei, tal missão? É que eu acreditava na falsa filosofia da ‘ciência pela ciência’. Esta filosofia envenena a ciência moderna. Foi por causa deste erro que consiste em isolar a ciência da vida social e dos seres humanos, que fui levado a trabalhar para a bomba atômica, durante a guerra. Pensávamos que, como cientistas devíamos nos consagrar a ‘ciência pura’ e deixar o resto à competência dos engenheiros e dos homens de estado. Tenho vergonha de dizer que foi necessário o horror dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaqui, para que eu saísse de minha torre de marfim e compreendesse que não há ‘ciência pura’ que a ciência não tem sentido senão quando serve a humanidade.”
Portanto, respondendo a pergunta inicial: é licito afirmar que a neutralidade científica é um mito. 
Aqueles que acreditam que não, talvez estejam conscientes ou não trabalhando em diversas formas de silenciosas bombas atômicas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO

A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia...

Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.
A paz está no dinamismo da vida, no trabalho, na esperança, na confiança, na fé...
Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou...
Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.
Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.
Ter paz é ter um coração que ama...
Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiçam...
Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.
Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer...
Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer.
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito é a confiança naquele que criou e governa o mundo...

A certeza da vida futura e a convicção de que receberei, das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido. 

Pense nisso...

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Você realmente entendeu "As Aventuras de Pi"?

Não se engane, senti a necessidade de fazer esse post porque vi muita gente na vida real e internet afora interpretando o final do filme errado. Este post é para quem viu As Aventuras de Pi "Life of Pi" e saiu com dúvidas ou nem sequer percebeu a sutileza com que a história foi relatada no final. Não estou duvidando da inteligência de ninguém, apenas ajudando a elucidar alguns fatos e a mostrar a capacidade filosófica que este filme promove sobre algumas questões da vida. 
Então, no fim do filme, quando os dois ministros do transporte japoneses, representantes da empresa de seguros vão perguntar a Piscina, o "Pi", sobre o fator causador do naufrágio, ele vem com aquela história dos animais e a ilha das plantas carnívoras (que pra nós que passamos o filme inteiro como testemunhas, achamos que se trata da versão verdadeira). Resultado é que eles não acreditam e não querem se passar de tolos ao contar para a imprensa. Enfim, Pi é levado a contar uma história mais racional que nos faz acreditar ser uma mentira, apenas para apaziguar os dois que queriam uma versão para acionar a empresa de seguros. 
Mas aí é que tá o TCHAN do filme. A história de "mentirinha" que ele conta, a versão sem animais FOI O QUE ACONTECEU DE VERDADE. Tudo que foi visto no filme, os animais em si, foram uma metáfora que Pi escolheu para poder contar a história sem mostrar os horrores da vida real, porque a vida real já é horrível do jeito que é. O cozinheiro era a hiena, o comandante era a zebra, a mãe o Orangotango, ele era o Tigre e ele mesmo acredito que éramos nós mesmos, num ponto de vista privilegiado de espectadores vendo tudo o que aconteceu.
Entretanto, como Pi viveu a sua vida aprendendo várias religiões, várias opiniões inclusive a de seu pai, racional, ele opta por dar ao ouvinte a escolha do melhor final, e esta é a verdadeira discussão do filme: Qual final você escolheria? O Místico ou o Racional? Cada um tem a sua opinião apesar do filme fortemente nos pender para o lado Místico. Nós passamos mais de duas horas vendo aquela aventura com Suco de Laranja e Richard Parker, nos identificamos com todos personagens para nos momentos finais, a história racional ser revelada, apesar de só haver uma verdade, na qual ele saiu vivo e sem sua família. 
Outra evidência que a história com os animais foi fictícia é uma das cenas mais fortes do filme, quando Pi sem forças cai na praia na costa do México e Richard sai do bote em direção a floresta. Pi espera que Richard olhe para trás e consinta o tempo que passaram juntos. Mas ele não olha, some entre as árvores e Pi acaba em prantos. É a maior lição que o seu pai deixou para ele ao mostrar o que aconteceu com a cabra no zoológico. É esta a questão, de nós humanos termos a tendência de humanizar, querer ver aspectos humanos onde não existe. Esta foi uma alusão ligada a questão que Pi levanta ao escritor. Qual final você prefere? Logicamente muito provavelmente o final com os animais porque você os humanizou, você olhou nos olhos do Tigre enquanto Pi poderia assassiná-lo com o machado e viu os olhos do arrependimento, viu os olhos e a expressão de um humano ao mesmo tempo que queria acreditar que Pi estava certo no zoológico quando poderia ter perdido não só um braço. Nós somos humanos, somos assim, o afeto pelas coisas irreais, que não existem são tão grandes que chegamos ao ponto de negarmos a realidade para o nosso puro prazer.
Mas a verdadeira dúvida entrou em questão quando o escritor canadense lê o relatório e vê que os japoneses relataram a história de Pi como algo mais ou menos assim: "um grande relato de sobrevivência e ainda mais ao lado de um Tigre de Bengala". O que aconteceu é que os japoneses acharam a versão secundária, a de "mentirinha" (entre aspas porque é a versão verdadeira) tão horrível que preferiram contar a primeira história, ou seja, a história com os animais que é a mentira de verdade. Talvez escolheram assim para poupá-lo da exposição e sofrimento ou que não queriam um desfecho tão avassalador sobre a esperança das pessoas ou até porque começaram a encontrar o caminho de Deus, quem sabe? O importante é que o escritor, os japoneses e preste bem atenção, até o próprio Pi preferem a história com os animais (a mentira é mais conveniente para ele). Assim como provavelmente todos nós. Repetindo, as pessoas discutem o final místico ou racional como certo ou errado. Só há uma verdade. A única questão motivadora de discussões é em qual final VOCÊ PREFERE. E ESTA PREFERÊNCIA EM PARTICULAR, vai depender de SUA bagagem, DOS SEUS VALORES, sendo você já um religioso,  alguém em busca de um sentido pra vida ou alguém que leva a vida de forma racional, baseada em fatos.


sábado, 23 de agosto de 2014

A Espada de Dâmocles.
Era uma vez, um rei chamado Dionísio, monarca de Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia num palácio cheio de requintes e de coisas bonitas, atendido por uma criadagem sempre disposta a fazer-lhe às vontades.
Naturalmente, por ser rico e poderoso, muitos siracusanos invejavam-lhe a sorte. Dâmocles estava entre eles. Era dos melhores amigos de Dionísio e dizia-lhe freqüentemente.
- Que sorte a sua! Você tem tudo que se pode desejar. Só pode ser o homem mais feliz do mundo!
Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de conversa.
- Ora essa! Você acha mesmo que eu sou mais feliz do que todo mundo?
O amigo respondeu:
- Mas é claro! Olhe só o seu tesouro e todo o seu poder! Você não tem absolutamente nada com que se preocupar. Poderia sua vida ser melhor do que isso?
- Talvez você queira trocar de lugar comigo - disse Dionísio.
- Ora, eu nem sonharia com uma coisa dessas! Mas se eu pudesse ter sua riqueza e desfrutar de todos esses prazeres por um dia apenas, não desejaria felicidade maior.
- Pois bem! Troque de lugar comigo por um dia apenas e desfrute disso tudo. E então, no dia seguinte, Dâmocles foi levado ao palácio e todos os criados reais lhe puseram na cabeça as coroas de ouro. Ele sentou-se à mesa na sala de banquetes e foi-lhe servida lauta refeição. Nada lhe faltou ao seu bel-prazer. Havia vinhos requintados, raros perfumes, lindas flores e música maravilhosa. Recostou-se em almofadas macias. Sentiu-se o homem mais feliz do mundo.
- Ah, isso é que é vida! - confessou à Dionísio, que se encontrava sentado à mesa, na outra extremidade. - Nunca me diverti tanto.
De repente, Dâmocles enrijeceu-se todo. O sorriso fugiu-lhe dos lábios e o rosto empalideceu. Suas mãos estremeceram. Esqueceu-se da comida, do vinho, da música. Só quis saber de ir embora dali, para bem longe do palácio, para onde quer que fosse.
Percebeu, que  pendia bem acima de sua cabeça uma espada, presa ao teto por um único fio de crina de cavalo. A lâmina brilhava, apontando diretamente para seus olhos. Ele foi se levantando, pronto para sair correndo, mas deteve-se tremendo que um movimento brusco pudesse arrebentar aquele fiozinho fino e fizesse com a espada lhe caísse em cima. Ficou paralisado, preso ao assento.
- O que foi, meu amigo? - perguntou Dionísio - Parece que você perdeu o apetite.
- Essa espada! Essa espada! - disse o outro, num sussurro - Você não está vendo?
- É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar me matar. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito, para jogar o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para tomar-me o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser líder precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm  junto com o poder, percebe?
- É claro que percebo! - disse Dâmocles - Vejo agora que eu estava enganado e que você tem muitas coisas no que pensar além de sua riqueza e fama. Por favor, assuma o seu lugar e deixe-me voltar para a minha casa.
Até o fim de seus dias, Dâmocles não voltou a querer trocar de lugar com o rei, nem por um momento sequer.


Essa historia, conhecida como “O mito de Dâmocles” nos diz sobre muitas lições de vida e de comportamento, e de pelo menos duas regras de conduta das quais devemos estar atentos;
Primeiro sobre o desejo de assumir o lugar e os haveres de outras pessoas, as quais julgamos mais felizes que nós.
Cada um tem aquilo pelo qual luta e faz por merecer.
Segundo, que todo poder vem acompanhado de deveres e responsabilidades.
Nada há no que podemos que seja isolado do que devemos.
Não permitamos que o medo de chorar amanhã nos impeça de rir hoje!
Sejamos felizes hoje, principalmente com a felicidade dos nossos irmãos !!!
Ivan, 16 de maio de 2004




sábado, 14 de junho de 2014

O que é Anarquismo:

O que é Anarquismo:Anarquismo é um sistema político que defende a anarquia, que busca o fim do Estado e da sua autoridade.
O termo anarquismo tem origem na palavra gregaanarkhia, que significa "ausência de governo". Representa o estado da sociedade ideal em que o bem comum resultaria da coerente conjugação dos interesses de cada um. A anarquia é contra a divisão em classes e por consequência é contra toda a espécie de opressão de uns sobre os outros. Vulgarmente é entendida como a situação política em que a constituição, o direito e as leis deixam de ter razão de existir.O anarquismo é uma teoria política que rejeita o poder estatal e acredita que a convivência entre os seres humanos é simplesmente determinada pela vontade e pela razão de cada um. É possível distinguir as correntes individualistas das correntes coletivistas no que se refere ao problema da propriedade privada.O anarquismo recusa a reforma progressiva como meio de desenvolvimento do estado, o qual deverá ser fruto da destruição radical da ordem estatal, através da ação direta, que inclui os atentados (propaganda pela ação).O anarquismo foi desenvolvido pelo clérigo dissidente inglês William Goldwin e pelo jovem Proudhon, e recebeu uma base filosófica da parte de Max Stirner. Encontrou os seus seguidores mais importantes entre os primeiros russos social-revolucionários (niilismo). Os seus principais representantes foram Bakunin e o príncipe Kropotkine, com Tolstoi na sua vertente religiosa. Face ao problema da propriedade dos meios de produção, há duas correntes: a individualista e coletivista.Relativamente à sua organização, há uma corrente anarcocoletivista (bakuninista) e outra anarcocomunista (kropotkiana), que se opunha aos sindicatos de classes operárias. Anarquismo, socialismo e comunismoO anarquismo se diferencia do socialismo e comunismo por ser o único movimento inimigo absoluto do estado. Contudo, o anarquismo compartilha com o socialismo e comunismo muitas das suas hipóteses e objetivos. Apesar disso, o anarquismo amadureceu bastante menos que o socialismo e comunismo, e não atua unitariamente em pontos importantes.Os três movimentos são opostos à mentalidade e economia capitalista, mas têm formas bastantes diferentes de oposição. Enquanto o socialismo e comunismo pretendem alterar o Estado, dando poder ao proletariado e tornando as propriedades coletivas, o anarquismo defende que o estado tem que ser completamente abolido, porque qualquer forma de estado mais cedo ou mais tarde se transformaria em um regime autoritário, opressor e de exclusão.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Magia


MAGIA

Existem duas formas de magia.
Há uma magia, que é obra do espírito das trevas e visa a ruína do homem através de artifícios de que não é lícito falar.
Mas há uma magia que é obra Divina, onde a ciência de Deus se manifesta através da ciência do homem; que serve para transformar a natureza, e um de cujos fins é prolongar a vida humana.
Esta é a magia santa, a que os sábios deveriam se dedicar sempre, não só para descobrir coisas novas, mas para redescobrir muitos segredos da natureza, que a sabedoria Divina revelara aos Hebreus, aos Gregos, e a outros povos antigos, inclusive aos chamados infiéis.
Porém, nem todo povo de Deus está pronto para aceitar tantos segredos, e por esta razão, tantas vezes aconteceram que os depositários conhecedores destas ciências, foram tomados por magos ligados por pactos com o demônio, pagando com a própria vida o desejo que tiveram de tornar outros, partícipes da riqueza do seu conhecimento.
É bom que certos segredos permaneçam encobertos por discursos ocultos.
Os segredos da natureza não circulam em peles de ovelhas.
Ao comunicar inadvertidamente muitos mistérios da natureza e da arte, infringe-se um sigilo celeste e muitos males podem advir como conseqüência.
Isto não significa que os segredos não devem ser revelados, mas compete aos sábios das ciências decidir quando, como e a quem.
Tratando-se de mistérios dos quais podem nascer tanto o bem quanto o mal, o sábio tem o direito e o dever de usar uma linguagem obscura, compreensível somente aos seus pares. O caminho da ciência é difícil, e é difícil distinguir nele o bem e o mal.



Ivan – long time ago...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Perdão

Reflexão por perdão

Ultimamente tenho sido assolado por pensamentos que me reportam a muitos anos atrás, quando era jovem, desinformado, despreparado...
Tenho pensado em quantas pessoa magoei, ofendi, destratei e percebo agora, quantos erros cometi.
Se eu pudesse chegar a todos e pedir perdão, eu o faria. Amigos, colegas de trabalho, minha família, meus filhos – meus filhos !!!
Errei por soberba, ingratidão, maldade até. Cometi erros que só de lembra-los, me envergonho e rezo a Deus, me perdoe por tantos erros. Eu realmente não sabia o que estava fazendo. Porém não saber não é desculpa, magoei e o fiz às vezes até por chacota.
Recordo-me de atos condenáveis de 50 anos atrás, e penso – como fui capaz? Com pude cometer tanta insensatez e maldade.
Coisas mesquinhas e atos de gravidade em nome da brincadeira, de ciúmes, de inveja. Como eu gostaria de voltar e estar em cada momento de deslize, para poder pedir perdão humildemente.
Mas é impossível, assim, se você foi vítima da minha maldade, da minha inveja, do meu egoísmo, por favor, receba o meu pedido de perdão. Eu te peço perdão por tudo que te fiz e não foi construtivo, eu te peço perdão por todas as vezes que fui infiel à sua amizade, te peço perdão por tantas palavras agressivas que pronunciei contra você.
Te peço perdão por tantas vezes que te ignorei, por tantas vezes que te usei para minha vantagem.
Perdão.
E finalmente peço perdão a Deus, que Ele pode ver o meu arrependimento, e o meu desejo de reparar tanto mal.
Perdão!!!


Títulos que proporcionaram crescimento.

  • Eclesíastes
  • O Pêndulo de Foucauld
  • Kon Tiki e Eu
  • The Ilustrated Man
  • Dom Quixote de La Mancha
  • O Nome da Rosa

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