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sábado, 25 de maio de 2013

A mãe do Traidor


Este conto de Máximo Gorki é triste, mas conta verdadeiramente o quanto pode ser grande o amor de mãe.

 

Havia no centro da Rússia - ainda a Rússia dos Czares, a aldeia de Dascha que entrou em guerra com outra vizinha - Mazhra, por uma disputa de limites de terras.

Durava já bastante tempo a tal peleja. Vania, um jovem de Dascha, em troca de alguns benefícios militares, traiu seus compatriotas, passando para o exercito de Mazhra e delatando segredos aos seus novos pares.

Todos os insultos possíveis e imagináveis, contra Vania eram esbravejados, principalmente, porque, como conseqüência da traição, a aldeia de Dascha estava perdendo batalha por batalha, e arriscava-se à perder toda guerra.

A mãe de Vania, sofria por ouvir tais insultos e infâmias sobre seu filho. Sabia de seu erro, mas que fazer, era seu filho único, muito amado, e lhe doía ouvir tais palavras sobre seu filho.

Quase um ano se passou, e todos os dias, um grupo de moradores, passava defronte sua casa gritando:

–     Onde está aquele Judas ?

–     Onde se esconde o traidor ?

–     Venha para a luz serpente venenosa !

Porém todos sabiam, que Vania, estava no exercito inimigo, e se clamavam por sua presença, era muito mais por ódio, e pela jura de vingança que pela esperança de vê-lo sair.

Um dia, bem cedo, a velha mãe do traidor, saiu de seu casebre, arranjou em um lenço grande, um pão fresco, um belo pedaço de toucinho, e sorrateiramente saiu pelos portões da aldeia e em silêncio, ainda coberta pelo escuro da madrugada, foi ao encontro de seu amado filho, na aldeia inimiga.

Lá chegando, foi imediatamente tida como espiã, e depois de explicações, deixaram-na ir ao encontro de seu filho.

Que saudade, quanta dor, quanto amor. Abraçou-o e deu-lhe de comer. Uma iguaria, pão sem bolor, e toucinho sem ranço. Vania fartou-se.

Em seguida, a velhinha se acomodou e pediu à seu filho que deitasse em seu colo, como fazia quando era ainda um menino. E Vania deitou-se, e alimentado, dormiu no regaço de sua mãe.

Então silenciosamente, a velha mãe, cujos ouvidos doíam sempre por ouvir insultos à seu amado filho, toma de um punhal, e crava certeira no coração do filho.

Porque só uma mãe conhece o amor de seu  filho.

Porque só uma mãe conhece a dor de seu filho.

Porque só uma mãe sabe exatamente onde se encontra o coração do filho.

 

Títulos que proporcionaram crescimento.

  • Eclesíastes
  • O Pêndulo de Foucauld
  • Kon Tiki e Eu
  • The Ilustrated Man
  • Dom Quixote de La Mancha
  • O Nome da Rosa

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