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Livre Pensador, interessado em estimular o pensamento e o questionamento. Nunca se cansando de perguntar - por que?

domingo, 23 de novembro de 2014

A verdade de Platão


"Não existe verdade absoluta", já dizia Platão.
Esse seria o primeiro item que gravaria em mim para nunca mais esquecer.
Não existe verdade absoluta, assim como não existe certo e errado.
O que existe é o ser humano, sua consciência e seu enorme leque de escolhas.
Em segundo lugar, quero lembrar-me sempre que a vida não está no nosso trabalho, nas nossas festas e nem nos planos que fazemos para o futuro.
A vida é o que acontece a cada segundo, a cada respiração, a cada sentimento.
E nós somos essa experiência diária. Somos a liberdade do vento que nos corta, a imensidão do céu e a grandeza do amor. Nós somos a parte mais complexa e mais intensa do universo.
E que universo!
Olho em volta e consigo enxergar uma magia em tudo que acontece. Até naquelas situações que avaliamos como negativas.
Pare e veja! Se prestarmos atenção veremos que tudo que acontece é uma pecinha que completa um quebra-cabeça.
E que a cada peça ele vai tomando forma. É como se cada passo nosso estivesse interconectado com uma lei própria, cronometrado em uma sincronia incrível.
Os amigos, os amores, a família... A vida vai dançando a música que escolhemos com uma melodia harmônica.
E é essa a percepção que proporciona a alegria de viver. A alegria de ser único, inteiro e completo.
E também de poder acrescentar, de ser parte de algo maior e muito além de nossa compreensão racional.
As opções estão aí. 
Escolhi como verdade as palavras que escuto nas entrelinhas e no silêncio.
Escolhi que o certo é o que o coração fala e a cabeça pondera.
Escolhi ser a parte do universo que acredita e que é feliz simplesmente por existir.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AMOR NATURAL


Para que eu possa expressar meu ponto de vista hoje, faz-se necessario que recorra a uma fábula, que ouvi não sei onde, mas que como tantas outras estórias sempre guardo na memoria com os ensinamentos que proporciona.
 
"Na margem de um rio, um Escorpião desejoso de atravessá-lo avaliava suas possibilidades, sem no entanto lograr algum exito. Afinal é sabido que o Escorpião não consegue nadar !
Estando em sua faina permeando a margem, na infrutífera busca de condições para atravessar a vau, encontra-se com uma Rã.
 - Senhora Dona Rã, gostaria de solicitar encarecidamente a utilização de seus tão decantados préstimos no sentido de transportar-me até a outra margem. Inconveniente que sem dúvida ser-lhe-á pago regiamente.
- Ora Senhor Escorpião, me causa estranheza o senhor esperar que eu atenda à esta sua solicitação, pois é conhecido o seu mau gênio, e com certeza transportá-lo em minhas costas seria suicídio !
- Senhora Dona Rã, veja que sou eu o necessitado neste instante, e se estou a pedir-lhe, claro está que eu iria antes defendê-la, que agredi-la, pois disto depende eu seguir ou não meu caminho !
- Pois bem, senhor Escorpião - veja lá. Suba em minhas costas.
Quando a Rã se encontrava no meio do rio, sentiu uma dor aguda em seu dorso, e compreendeu de imediato o que havia ocorrido.
- Senhor Escorpião, então o senhor não cumpriu com a sua palavra! Acabo de sentir o seu ferRão! Não percebe que agora eu irei morrer, e consequentemente o senhor também irá ?!?
- Senhora Dona Rã, eu sei que agora, em virtude do meu veneno, a senhora irá morrer, e inevitavelmente irá me arrastar para o fundo. A minha morte é apenas uma questão de tempo. Provavelmente eu morrerei ainda antes que a senhora! Mas entenda Dona Rã, embora eu saiba que vou morrer, aguilhoar, faz parte da minha natureza !"
 
Pois bem, faz parte da natureza do Escorpião aguilhoar.
É natural ao Escorpião defender-se, e sua arma natural, é seu ferRão e seu veneno. E ele sabe disto!
Da mesma forma, amar faz parte do ser humano e partilhar seu amor é tão natural quanto respirar. O ser humano sente-se desajustado, quando está impedido de comungar com seu semelhante, do sentimento mais nobre e mais proprio da sua natureza.
Amar faz parte do ser humano. Entretanto, os animais têm seus instintos, e a preservação da espécie depende da manutenção destes instintos. Os instintos animais são tão mais fortes, quanto mais natural for o modo de vida e a existência das especies.
O homem, é o único animal, que talvez por causa de sua discutível racionalidade abanDona seus instintos e deixa-se levar pelas aparências, pela conveniência e - desgraçadamente -, deixa-se conduzir pela influência de outros individuos da mesma especie.
Não é natural o ser humano invejar os bens de outros. Não é natural que um ser humano deseje para sí alguma coisa que não lhe pertença, apenas pelo fato de que em algum momento, por alguma razão alguém teve condições de possuir.
Em minha casa, nós temos um dormitorio que no momento não está sendo ocupado. Eu jamais admitiria que um indivíduo, por maior que fossem suas dificuldades, tomasse de assalto a minha residência para ocupar aquele aposento.
Da mesma forma, no meu conceito de democracia, de liberdade e de justiça, não se enquadra sob nenhuma circunstância a ocupação de terras, seja qual for a bandeira que sombreia (ou acoberta) os ocupantes. A imensa e esmagadora maioria das pessôas que acompanham tal movimento, nunca tiveram contato com a lavoura! Jamais tiveram a intenção de tranformarem-se em lavradores! “Foram conduzidos, como cordeiros à um altar de sacrifícios” pelas mãos de algum pastor (?) provavelmente interessado em valer-se dos resultados pretendidos.
O direito destas pessôas possuirem terras, casas, carros, telefone, ou qualquer coisa que desejarem é natural e indiscutivel. Tomar posse de qualquer bem que não lhe pertença valendo-se da força e escudado na desculpa de que tal bem não está sendo usado, é inadmissível.
Tal comportamento é revoltante, é agressivo, é inaceitavel !
Tal comportamento não faz parte da natureza humana.
Tal comportamento não expressa o amor.
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


O mito da neutralidade da ciência


É lícito afirmar que a neutralidade científica é um mito? Comentando os textos de Lévy-Leblond e Marcuse.

Todo cientista é um ser humano, antes de ser um cientista, ou seja, é um ser concebido no seio de uma sociedade, que possui por sua vez uma realidade social, econômica de cultura que irão influenciar juntamente com as motivações, vivencias pessoais as diversas escolhas e decisões que terá que fazer seja como cientista ou como simples cidadão. 
Segundo Antônio Joaquim Severino, a existência humana se desenvolve em três dimensões:  
* Prática Social - Ao produzir seu meio de subsistência, os homens estabelecem entre si relações que são funcionais e caracterizada por um coeficiente de poder; 
* Prática Produtiva - Pelo trabalho, os homens interferem na natureza com vistas a prover os meios de sua existência material, garantindo a produção de bens e a reprodução da espécie; 
* Prática Simbolizadora - As relações produtivas e sociais são simbolizadas em nível de representação e de apreciação valorativa. São os conjuntos de valores, crenças, ideologias, forma de interpretar e ver o mundo que visando à significação e legitimação da realidade social e econômica vivida pelo homem.
Essas três dimensões se articulam intimamente entre si, de tal modo que o desenvolvimento de cada uma repercute sobre as outras, num processo dialético permanente. Assim, se o modo de produção, de um lado, repercute no modo de formação social e se ambas repercutem sobre o modo de representação subjetiva dos homens, de outro, as suas representações mentais interferem na sua organização social e na sua atividade produtiva.
O cientista está inserido dentro dessas dimensões; a ciência também se desenvolve dentro dessas dimensões e não separada delas. Cada descoberta, avanço e aplicações das ciências impactam a vida do homem nas suas dimensões sociais, culturais e produtivas, gerando benefícios e malefícios.
O desenvolvimento do conhecimento e sua aplicação prática, especialmente, no sistema produtivo no período da revolução industrial, não causou impacto somente na prática produtiva, mas alterou também a realidade social, a saída do campo para cidade, o trabalho artesanal e feito em casa para o trabalho nas linhas de produção feito na fabrica, bem como alterou a visão do mudo, os valores. 
A concepção da ciência como dominadora da natureza e serviço do desenvolvimento econômico e fortalecimento do sistema produtivo capitalista tem trazido o progresso, porém, tem trazidos sérios problemas que colocam em risco a nossa existência na terra. 
Quando os cientistas em sua torre de marfim pensam que estão livres das questões sociais, políticas e culturais e pensam fazer a ciência pura, no mínimo estão escolhendo do lado daqueles que tomaram a decisão de aplicar esses conhecimentos. A neutralidade não existe, pois o não posicionamento, já é por si só um posicionamento a favor daqueles que iram se beneficiar da renuncia ética daqueles que pensam fazer a ciência pela ciência. 
Segundo os autores Jean Marc Lévy-Leblond e Marcuse, o cientista é responsável socialmente pelo o resultado de suas pesquisas e possui sim motivações pessoais, status, poder, dinheiro, reconhecimento, etc. e não motivações puras de conhecimento. 
Leblond em seu pronunciamento à academia de Lyon em 13 de janeiro de 1970, esboça bem o questão do mito da neutralidade da ciência.
Nesse discurso o autor faz uma critica audaciosa e mordaz aos cientistas que julgam fazer a ciência pura, ou seja a ciência descontextualizada de realidade econômica, social e cultural e sem quaisquer outros interesses a não ser, no dizer de Leblond, provocar a curiosidade de uns vintes especialistas em todo mundo.
Com argumentos claros e fundamentados desmonta o mito da neutralidade científica e põem em xeque a ideia de que a ciência desempenha atualmente um papel fundamental na evolução da sociedade e é o motor essencial de seus progressos.
Para Leblond como para Marcuse a atividade científica, como qualquer outra não está separada do conjuntos do sistema social em que se pratica. Leblond considera que o fato do cientista está ou não consciente das forças a serviços dos quais trabalha, não isenta de ser seu cúmplice. O mesmo entendimento é compartilhado por Marcuse. 
A proposição que desejo apresentar é a seguinte: a ciência (isto é, o cientista) é responsável pelo uso que a sociedade faz da ciência; o cientista é responsável pelas consequências sociais da ciência. 
Em outubro de 1952, tomou parte na Conferência da Ásia e do Pacífico pela Paz, um cientista, Joan Hinton, que tinha participado da fabricação da primeira bomba atômica em Lós Alamos. Vejamos o que ele disse: 
“Trabalhei com minhas próprias mãos na primeira bomba lançada sobre Nagasaqui. Experimento um profundo sentimento de culpa e tenho vergonha de ter desempenhado tal papel na preparação desse crime contra a humanidade. Por que aceitei, tal missão? É que eu acreditava na falsa filosofia da ‘ciência pela ciência’. Esta filosofia envenena a ciência moderna. Foi por causa deste erro que consiste em isolar a ciência da vida social e dos seres humanos, que fui levado a trabalhar para a bomba atômica, durante a guerra. Pensávamos que, como cientistas devíamos nos consagrar a ‘ciência pura’ e deixar o resto à competência dos engenheiros e dos homens de estado. Tenho vergonha de dizer que foi necessário o horror dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaqui, para que eu saísse de minha torre de marfim e compreendesse que não há ‘ciência pura’ que a ciência não tem sentido senão quando serve a humanidade.”
Portanto, respondendo a pergunta inicial: é licito afirmar que a neutralidade científica é um mito. 
Aqueles que acreditam que não, talvez estejam conscientes ou não trabalhando em diversas formas de silenciosas bombas atômicas.

Títulos que proporcionaram crescimento.

  • Eclesíastes
  • O Pêndulo de Foucauld
  • Kon Tiki e Eu
  • The Ilustrated Man
  • Dom Quixote de La Mancha
  • O Nome da Rosa

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