"Na margem de um rio,
um Escorpião desejoso de atravessá-lo avaliava suas possibilidades, sem no
entanto lograr algum exito. Afinal é sabido que o Escorpião não consegue nadar
!
Estando em sua faina
permeando a margem, na infrutífera busca de condições para atravessar a vau,
encontra-se com uma Rã.
- Senhora Dona Rã, gostaria de solicitar
encarecidamente a utilização de seus tão decantados préstimos no sentido de
transportar-me até a outra margem. Inconveniente que sem dúvida ser-lhe-á pago
regiamente.
- Ora Senhor Escorpião, me
causa estranheza o senhor esperar que eu atenda à esta sua solicitação, pois é
conhecido o seu mau gênio, e com certeza transportá-lo em minhas costas seria
suicídio !
- Senhora Dona Rã, veja que
sou eu o necessitado neste instante, e se estou a pedir-lhe, claro está que eu
iria antes defendê-la, que agredi-la, pois disto depende eu seguir ou não meu
caminho !
- Pois bem, senhor Escorpião
- veja lá. Suba em minhas costas.
Quando a Rã se encontrava no
meio do rio, sentiu uma dor aguda em seu dorso, e compreendeu de imediato o que
havia ocorrido.
- Senhor Escorpião, então o
senhor não cumpriu com a sua palavra! Acabo de sentir o seu ferRão! Não percebe
que agora eu irei morrer, e consequentemente o senhor também irá ?!?
- Senhora Dona Rã, eu sei
que agora, em virtude do meu veneno, a senhora irá morrer, e inevitavelmente
irá me arrastar para o fundo. A minha morte é apenas uma questão de tempo.
Provavelmente eu morrerei ainda antes que a senhora! Mas entenda Dona Rã,
embora eu saiba que vou morrer, aguilhoar, faz parte da minha natureza !"
Pois bem, faz
parte da natureza do Escorpião aguilhoar.
É natural ao
Escorpião defender-se, e sua arma natural, é seu ferRão e seu veneno. E ele
sabe disto!
Da mesma
forma, amar faz parte do ser humano e partilhar seu amor é tão natural quanto
respirar. O ser humano sente-se desajustado, quando está impedido de comungar
com seu semelhante, do sentimento mais nobre e mais proprio da sua natureza.
Amar faz parte
do ser humano. Entretanto, os animais têm seus instintos, e a preservação da
espécie depende da manutenção destes instintos. Os instintos animais são tão
mais fortes, quanto mais natural for o modo de vida e a existência das
especies.
O homem, é o
único animal, que talvez por causa de sua discutível racionalidade abanDona
seus instintos e deixa-se levar pelas aparências, pela conveniência e -
desgraçadamente -, deixa-se conduzir pela influência de outros individuos da
mesma especie.
Não é natural
o ser humano invejar os bens de outros. Não é natural que um ser humano deseje
para sí alguma coisa que não lhe pertença, apenas pelo fato de que em algum
momento, por alguma razão alguém teve condições de possuir.
Em minha casa,
nós temos um dormitorio que no momento não está sendo ocupado. Eu jamais
admitiria que um indivíduo, por maior que fossem suas dificuldades, tomasse de
assalto a minha residência para ocupar aquele aposento.
Da mesma
forma, no meu conceito de democracia, de liberdade e de justiça, não se
enquadra sob nenhuma circunstância a ocupação de terras, seja qual for a
bandeira que sombreia (ou acoberta) os ocupantes. A imensa e esmagadora maioria
das pessôas que acompanham tal movimento, nunca tiveram contato com a lavoura!
Jamais tiveram a intenção de tranformarem-se em lavradores! “Foram conduzidos,
como cordeiros à um altar de sacrifícios” pelas mãos de algum pastor (?)
provavelmente interessado em valer-se dos resultados pretendidos.
O direito
destas pessôas possuirem terras, casas, carros, telefone, ou qualquer coisa que
desejarem é natural e indiscutivel. Tomar posse de qualquer bem que não lhe
pertença valendo-se da força e escudado na desculpa de que tal bem não está
sendo usado, é inadmissível.
Tal comportamento é
revoltante, é agressivo, é inaceitavel !
Tal comportamento não faz
parte da natureza humana.
Tal comportamento não
expressa o amor.
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