AMOR HUMANO
Nem posso dizer, se a
expressão "Amor Humano"
contradiz, ou fere alguma regra do Vernáculo.
O que eu espero, é poder
passar adiante, o meu ponto de vista à respeito deste divino sentimento, que
como já tive oportunidade de dizer, “desafia as leis matemáticas e se
multiplica a medida em que é dividido”.
Mas não imagine de
imediato, que o amor a que me refiro, é o mesmo que nos acostumamos a
identificar no dia-a-dia, como o amor conjugal, paternal, filial, mesmo
fraternal quando a fraternidade é consaguinea, este amor decantado nas artes;
este é o amor a que nos acostumamos a identificar - este é um amor “a
posteriori”.
Eu me refiro ao amor que
não enxergamos, que não percebemos, porque somos condicionados à escondê-lo; eu
me refiro àquele amor que faz parte “a priori” - do ser humano, independente do
relacionamento que este ser humano possa vir a ter por alguém, ou por alguma
coisa; eu me refiro ao amor de dimensões divinas, ao amor que um membro da
espécie humana sente por outro membro da espécie humana bem assim -
como um instinto básico de preservação que está presente no inconsciente
coletivo.
Não o amor que aprendemos
a sentir, mas aquele que já nascemos com ele.
Eu me refiro ao amor que
faz com que ao vermos um desconhecido
ser atacado por um enxame de abelhas, imediatamente partilhamos do mesmo
desespero desse desconhecido, e procuramos, à custa de muita dor, socorrê-lo.
Eu me refiro ao amor que
faz com que um bombeiro entre nas chamas para arrancar daquele inferno uma
pessoa que ele nunca viu, e talvez nunca mais a veja.
A crueldade da vida faz
com que abafemos este amor. Somos levados a crer, que este amor a que me
refiro, é demonstração de fraqueza.
Quando pudermos praticar
este amor a que me refiro sem nos preocuparmos com melindres ou
suscetibilidades, então não mais haverão crianças abandonadas; não mais haverão
humanos em condições sub-humanas.
Quando pudermos praticar
este amor a que me refiro, poderemos nos apresentar como membros da espécie
humana sem sentir vergonha - a qualquer
extra terrestre.
Quando pudermos praticar
este amor a que me refiro, poderemos olhar para um espelho.
Quando pudermos praticar
este amor a que me refiro, então e só então poderemos nos orgulhar de sermos
humanos.
Ivan Viveiros
Lins, 03
de julho de 1993
Publicado no Correio de Lins em 13 de
julho de 1993 em coluna aberta com o título de "Amor Humano", onde o
título original do artigo, foi mudado para "Amor Gratuito".