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Livre Pensador, interessado em estimular o pensamento e o questionamento. Nunca se cansando de perguntar - por que?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AMOR HUMANO

AMOR HUMANO

Nem posso dizer, se a expressão "Amor Humano"  contradiz, ou fere alguma regra do Vernáculo.
O que eu espero, é poder passar adiante, o meu ponto de vista à respeito deste divino sentimento, que como já tive oportunidade de dizer, “desafia as leis matemáticas e se multiplica a medida em que é dividido”.
Mas não imagine de imediato, que o amor a que me refiro, é o mesmo que nos acostumamos a identificar no dia-a-dia, como o amor conjugal, paternal, filial, mesmo fraternal quando a fraternidade é consaguinea, este amor decantado nas artes; este é o amor a que nos acostumamos a identificar - este é um amor “a posteriori”.
Eu me refiro ao amor que não enxergamos, que não percebemos, porque somos condicionados à escondê-lo; eu me refiro àquele amor que faz parte “a priori” - do ser humano, independente do relacionamento que este ser humano possa vir a ter por alguém, ou por alguma coisa; eu me refiro ao amor de dimensões divinas, ao amor que um membro da espécie humana sente por outro membro da espécie humana  bem assim -  como um instinto básico de preservação que está presente no inconsciente coletivo.
Não o amor que aprendemos a sentir, mas aquele que já nascemos com ele.
Eu me refiro ao amor que faz com que  ao vermos um desconhecido ser atacado por um enxame de abelhas, imediatamente partilhamos do mesmo desespero desse desconhecido, e procuramos, à custa de muita dor, socorrê-lo.
Eu me refiro ao amor que faz com que um bombeiro entre nas chamas para arrancar daquele inferno uma pessoa que ele nunca viu, e talvez nunca mais a veja. 
A crueldade da vida faz com que abafemos este amor. Somos levados a crer, que este amor a que me refiro, é demonstração de fraqueza.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro sem nos preocuparmos com melindres ou suscetibilidades, então não mais haverão crianças abandonadas; não mais haverão humanos em condições sub-humanas.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, poderemos nos apresentar como membros da espécie humana  sem sentir vergonha - a qualquer extra terrestre.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, poderemos olhar para um espelho.
Quando pudermos praticar este amor a que me refiro, então e só então poderemos nos orgulhar de sermos humanos.

                                                   Ivan Viveiros
                                       Lins, 03 de julho de 1993
Publicado no Correio de Lins em 13 de julho de 1993 em coluna aberta com o título de "Amor Humano", onde o título original do artigo, foi mudado para "Amor Gratuito".

Títulos que proporcionaram crescimento.

  • Eclesíastes
  • O Pêndulo de Foucauld
  • Kon Tiki e Eu
  • The Ilustrated Man
  • Dom Quixote de La Mancha
  • O Nome da Rosa

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