TUNEL DO TEMPO
Dizem, algumas pessoas, que quando um homem está nos últimos instantes de vida, tenha ela durado o tempo que durou, invariavelmente ele pensa em sua mãe. Alguns até chegam a dizer, que suas últimas palavras, ou seu último desejo de dizê-las, é para chama-la. Mãe.
No tocante a vida, muitas conjecturas há, na tentativa de explicar; seu inicio, seu transcorrer, seu fim, e especialmente o pós-fim. O que será que acontece depois?
Quantas pessoas já se fizeram tal pergunta. Quantas páginas foram escritas para tentar entender o pós-vida.
Recentemente, ouvi uma ponto de vista à respeito, e ainda não encontrei razões para discordar.
A vida, é como se fosse uma estrada. Viajamos por ela e o livre arbítrio nos permite desfrutar da paisagem, apreciando-a, ou passar por ela ser mesmo vê-la, quiçá, aproveita-la. Se viajamos com calma, cuidadosa e prudentemente, viajamos longe e podemos apreciar a paisagem, desfrutando do que ela nos oferece de melhor, e guardando sempre na memória as recordações dos melhores momentos da viagem.
Se a nossa viagem é atribulada e só temos tempo para pensar em dirigir e ter o melhor veículo, pouca chances temos de apreciar a paisagem que a estrada da vida nos oferece, e freqüentemente, passamos pela paisagem da estrada, sem nos darmos conta que ali havia uma paisagem linda.
Quer ver um exemplo de paisagem linda ? Nossa casa paterna, nossos pais, nossa companheira ou companheiro, nossa casa, nossos filhos, o crescimento deles, seus desenvolvimentos na escola e por aí afora vai um sem-número de maravilhosas paisagens da vida, que só passamos por ela uma única vez, pois que o carro que nos conduz nesta estrada, não tem marcha-a-ré, e a estrada não tem retorno.
Alguns detalhes da paisagem, muitas vezes passam desapercebidos, veja; você consegue lembrar-se daquela ocasião, em você teve medo, e sua mãe, olhou para você, e a força e o amor nos olhos dela fez com o medo desaparecesse ?
E você vai viajando pela vida e decidindo a cada quilometro (ou dia) de que forma viaja (ou vive). E vai passando sempre por novas e inusitadas paisagens, e decidindo se as aprecia, ou passa por elas sem prestar atenção.
É o Livre Arbítrio. O Senhor dos Mundos nô-lo deu. A Divindade Suprema nos dotou desta capacidade, como uma incomparável forma de liberdade, em que podemos decidir inclusive, de que forma fazemos a nossa viagem. Se bem ou mal. Se colocamos como nossos parceiro de jornada, boas ou más companhias, se às vezes fazemos uma parada na experimentação da viagem, e enquanto o carro roda (porque este carro da vida jamais para) ficamos sem nos dar conta de tudo que passa, e do que se passa, e do que se trata. Ficamos alijados em algum grande desvio de traçado provocado por alguma coisa que nos deixa alienados da realidade da viagem. É o Livre Arbítrio. A Suprema Divindade nos concedeu.
De repente, a um certo momento da viagem a paisagem desaparece, a margem da estrada fica escura, tudo fica escuro! Você entra em um túnel escuro e tudo o que você tem, é a memória da paisagem que passou. Você apenas sabe que a estrada passou e chegou à um túnel. E você não sabe que estrada vem pela frente. O túnel é escuro. E você nem sabe se vem estrada pela frente. O túnel é muito escuro.
De repente aparece uma luz no fim do túnel. E esta luz vai-se alargando e ficando mais clara e você começa a vislumbrar que a estrada continua do outro lado.
E você começa a se dar conta que a estrada é contínua, não se acaba, e você então começa a sentir-se aliviado, porque a estrada continua.
Então, o túnel acaba, e de fato a estrada está toda lá.
Mas é diferente da estrada anterior! Esta é muito mais macia, não tem buracos, não tem curvas, e mais: seu veículo trafega sem atrito, sem ruído. A viagem é toda fofa, macia calma. Na verdade você percebe que está viajando sem veículo. Você viaja por si só, e por si só é capaz de trafegar por esta nova estrada, ou melhor por este novo trecho da mesma estrada.
Uma coisa é nova; antes você não conseguia ver este cordão umbilical que - você sabe agora - sempre esteve aqui, e você nunca o tinha visto. É um cordão brilhante, como se fosse feito de prata liqüefeita, e ainda assim compacta, densa e solida, indissolúvel e indissociável de você. E você percebe que aquele cordão umbilical, sai de você e vai até uma incomensurável fonte de energia, uma central de energia radiante, cujo tamanho, brilho e beleza, são absolutamente inimagináveis.
E você então tem consciência. Você deixou aquele veículo, aquela casca fedorenta e está no plano etéreo e conectado à Divindade Suprema. Como sempre esteve aliás. Mas nunca se deu conta.
E então você segue a sua viagem, enviando através do seu cordão umbilical todas as informações que trouxe da sua viagem, e recebendo através do seu cordão umbilical todos os esclarecimentos que necessitava sobre a sua viagem.
Se a sua viagem foi boa, sua paisagem foi apreciada, seu roteiro foi compartilhado; só bons momentos, recordações e esclarecimentos correrão através do cordão, indo e vindo.
Se a sua viagem foi atribulada, não foi compartilhada, você se alienou, viajou longo trecho ser se dar conta, não deu carona a ninguém, e quando deu, jogou o carona no porta-malas sem o menor cuidado. Então, muitas explicações deverão ser dadas, só preocupações serão compartilhadas, e o cordão ficará congestionado de mal-estar indo e vindo.
Mas você continua a viagem, e mesmo sem ter boas coisa a contar, sua chance de viajar naquela estrada existe, e esta nova chance lhe é concedida. Não deixe de observar agora.
Então, a Divindade Suprema lhe oferece um novo roteiro. E você aceita, ou não. E um novo veículo lhe é oferecido. E você aceita, ou não. É o Livre Arbítrio.
Se a sua viagem anterior foi ótima, ótimo! Você saberá apreciar ainda melhor o novo trajeto. Desfrute.
Se a sua viagem anterior foi ruim, tudo bem, aproveite agora.
E novamente você entra no túnel, e novamente aquela aflição de não ver nada, de não saber de nada, de não prever nada, e ...
Luz de novo, e a estrada de novo.
Mas este novo veículo ainda está com o motor ruim. Falta amaciar, o combustível é fraco. Puxa!
Só uma coisa é boa, só uma coisa é agradavel. São os olhos desta pessoa que te abraça, voce reconhece aqueles olhos. Embora esteja olhando para eles pela primeira vez, voce tem certeza que os conhece. Este imenso amor que voce percebe a sua volta, este enorme carinho, vem dela. São os olhos de sua mãe!
É dela este colo aquecido e protetor. É sua mãe, e com certeza é uma extensão da Divindade Suprema.
Está tudo bem. Nada pode ser ruim se ela está por perto. Até seu veículo já melhorou! Já esta funcionando melhor. E voce tem certeza de uma coisa. Se seu veículo falhar, não vai ter problema, Sua mãe está segurando você.
Olhe os olhos dela! ...
Tantos caminhos percorridos, e de novo aquela estrada. A continuação dela. Paisagens a ver novamente, oportunidades de novos conhecimentos, novos lugares, novos companheiros de viagem, novos caronas. Cuidado desta vez! Se na anterior você deu carona a pessoas erradas! Cuidado também para não colocar sua carona no bagageiro. Faça a melhor viagem possível. Não precisa correr feito doido. Vá com calma, aprecie o trajeto, aprecie a paisagem. Não se esqueça de observar agora com cuidado os olhos da sua mãe.
Afinal, esta é a sua primeira viagem ? Ou será que é a última?