Este
conto de Máximo Gorki é triste, mas conta verdadeiramente o quanto pode ser
grande o amor de mãe.
Havia no
centro da Rússia - ainda a Rússia dos Czares, a aldeia de Dascha que entrou em
guerra com outra vizinha - Mazhra, por uma disputa de limites de terras.
Durava já
bastante tempo a tal peleja. Vania, um jovem de Dascha, em troca de alguns
benefícios militares, traiu seus compatriotas, passando para o exercito de
Mazhra e delatando segredos aos seus novos pares.
Todos os
insultos possíveis e imagináveis, contra Vania eram esbravejados,
principalmente, porque, como conseqüência da traição, a aldeia de Dascha estava
perdendo batalha por batalha, e arriscava-se à perder toda guerra.
A mãe de
Vania, sofria por ouvir tais insultos e infâmias sobre seu filho. Sabia de seu
erro, mas que fazer, era seu filho único, muito amado, e lhe doía ouvir tais
palavras sobre seu filho.
Quase um ano
se passou, e todos os dias, um grupo de moradores, passava defronte sua casa
gritando:
–
Onde está aquele Judas ?
–
Onde se esconde o traidor ?
–
Venha para a luz serpente venenosa !
Porém todos
sabiam, que Vania, estava no exercito inimigo, e se clamavam por sua presença,
era muito mais por ódio, e pela jura de vingança que pela esperança de vê-lo
sair.
Um dia, bem
cedo, a velha mãe do traidor, saiu de seu casebre, arranjou em um lenço grande,
um pão fresco, um belo pedaço de toucinho, e sorrateiramente saiu pelos portões
da aldeia e em silêncio, ainda coberta pelo escuro da madrugada, foi ao
encontro de seu amado filho, na aldeia inimiga.
Lá chegando,
foi imediatamente tida como espiã, e depois de explicações, deixaram-na ir ao
encontro de seu filho.
Que saudade,
quanta dor, quanto amor. Abraçou-o e deu-lhe de comer. Uma iguaria, pão sem
bolor, e toucinho sem ranço. Vania fartou-se.
Em seguida, a
velhinha se acomodou e pediu à seu filho que deitasse em seu colo, como fazia
quando era ainda um menino. E Vania deitou-se, e alimentado, dormiu no regaço
de sua mãe.
Então
silenciosamente, a velha mãe, cujos ouvidos doíam sempre por ouvir insultos à
seu amado filho, toma de um punhal, e crava certeira no coração do filho.
Porque só uma
mãe conhece o amor de seu filho.
Porque só uma
mãe conhece a dor de seu filho.
Porque só uma
mãe sabe exatamente onde se encontra o coração do filho.