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Livre Pensador, interessado em estimular o pensamento e o questionamento. Nunca se cansando de perguntar - por que?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO

A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia...

Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.
A paz está no dinamismo da vida, no trabalho, na esperança, na confiança, na fé...
Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou...
Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.
Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.
Ter paz é ter um coração que ama...
Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiçam...
Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.
Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer...
Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer.
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito é a confiança naquele que criou e governa o mundo...

A certeza da vida futura e a convicção de que receberei, das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido. 

Pense nisso...

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Você realmente entendeu "As Aventuras de Pi"?

Não se engane, senti a necessidade de fazer esse post porque vi muita gente na vida real e internet afora interpretando o final do filme errado. Este post é para quem viu As Aventuras de Pi "Life of Pi" e saiu com dúvidas ou nem sequer percebeu a sutileza com que a história foi relatada no final. Não estou duvidando da inteligência de ninguém, apenas ajudando a elucidar alguns fatos e a mostrar a capacidade filosófica que este filme promove sobre algumas questões da vida. 
Então, no fim do filme, quando os dois ministros do transporte japoneses, representantes da empresa de seguros vão perguntar a Piscina, o "Pi", sobre o fator causador do naufrágio, ele vem com aquela história dos animais e a ilha das plantas carnívoras (que pra nós que passamos o filme inteiro como testemunhas, achamos que se trata da versão verdadeira). Resultado é que eles não acreditam e não querem se passar de tolos ao contar para a imprensa. Enfim, Pi é levado a contar uma história mais racional que nos faz acreditar ser uma mentira, apenas para apaziguar os dois que queriam uma versão para acionar a empresa de seguros. 
Mas aí é que tá o TCHAN do filme. A história de "mentirinha" que ele conta, a versão sem animais FOI O QUE ACONTECEU DE VERDADE. Tudo que foi visto no filme, os animais em si, foram uma metáfora que Pi escolheu para poder contar a história sem mostrar os horrores da vida real, porque a vida real já é horrível do jeito que é. O cozinheiro era a hiena, o comandante era a zebra, a mãe o Orangotango, ele era o Tigre e ele mesmo acredito que éramos nós mesmos, num ponto de vista privilegiado de espectadores vendo tudo o que aconteceu.
Entretanto, como Pi viveu a sua vida aprendendo várias religiões, várias opiniões inclusive a de seu pai, racional, ele opta por dar ao ouvinte a escolha do melhor final, e esta é a verdadeira discussão do filme: Qual final você escolheria? O Místico ou o Racional? Cada um tem a sua opinião apesar do filme fortemente nos pender para o lado Místico. Nós passamos mais de duas horas vendo aquela aventura com Suco de Laranja e Richard Parker, nos identificamos com todos personagens para nos momentos finais, a história racional ser revelada, apesar de só haver uma verdade, na qual ele saiu vivo e sem sua família. 
Outra evidência que a história com os animais foi fictícia é uma das cenas mais fortes do filme, quando Pi sem forças cai na praia na costa do México e Richard sai do bote em direção a floresta. Pi espera que Richard olhe para trás e consinta o tempo que passaram juntos. Mas ele não olha, some entre as árvores e Pi acaba em prantos. É a maior lição que o seu pai deixou para ele ao mostrar o que aconteceu com a cabra no zoológico. É esta a questão, de nós humanos termos a tendência de humanizar, querer ver aspectos humanos onde não existe. Esta foi uma alusão ligada a questão que Pi levanta ao escritor. Qual final você prefere? Logicamente muito provavelmente o final com os animais porque você os humanizou, você olhou nos olhos do Tigre enquanto Pi poderia assassiná-lo com o machado e viu os olhos do arrependimento, viu os olhos e a expressão de um humano ao mesmo tempo que queria acreditar que Pi estava certo no zoológico quando poderia ter perdido não só um braço. Nós somos humanos, somos assim, o afeto pelas coisas irreais, que não existem são tão grandes que chegamos ao ponto de negarmos a realidade para o nosso puro prazer.
Mas a verdadeira dúvida entrou em questão quando o escritor canadense lê o relatório e vê que os japoneses relataram a história de Pi como algo mais ou menos assim: "um grande relato de sobrevivência e ainda mais ao lado de um Tigre de Bengala". O que aconteceu é que os japoneses acharam a versão secundária, a de "mentirinha" (entre aspas porque é a versão verdadeira) tão horrível que preferiram contar a primeira história, ou seja, a história com os animais que é a mentira de verdade. Talvez escolheram assim para poupá-lo da exposição e sofrimento ou que não queriam um desfecho tão avassalador sobre a esperança das pessoas ou até porque começaram a encontrar o caminho de Deus, quem sabe? O importante é que o escritor, os japoneses e preste bem atenção, até o próprio Pi preferem a história com os animais (a mentira é mais conveniente para ele). Assim como provavelmente todos nós. Repetindo, as pessoas discutem o final místico ou racional como certo ou errado. Só há uma verdade. A única questão motivadora de discussões é em qual final VOCÊ PREFERE. E ESTA PREFERÊNCIA EM PARTICULAR, vai depender de SUA bagagem, DOS SEUS VALORES, sendo você já um religioso,  alguém em busca de um sentido pra vida ou alguém que leva a vida de forma racional, baseada em fatos.


sábado, 23 de agosto de 2014

A Espada de Dâmocles.
Era uma vez, um rei chamado Dionísio, monarca de Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia num palácio cheio de requintes e de coisas bonitas, atendido por uma criadagem sempre disposta a fazer-lhe às vontades.
Naturalmente, por ser rico e poderoso, muitos siracusanos invejavam-lhe a sorte. Dâmocles estava entre eles. Era dos melhores amigos de Dionísio e dizia-lhe freqüentemente.
- Que sorte a sua! Você tem tudo que se pode desejar. Só pode ser o homem mais feliz do mundo!
Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de conversa.
- Ora essa! Você acha mesmo que eu sou mais feliz do que todo mundo?
O amigo respondeu:
- Mas é claro! Olhe só o seu tesouro e todo o seu poder! Você não tem absolutamente nada com que se preocupar. Poderia sua vida ser melhor do que isso?
- Talvez você queira trocar de lugar comigo - disse Dionísio.
- Ora, eu nem sonharia com uma coisa dessas! Mas se eu pudesse ter sua riqueza e desfrutar de todos esses prazeres por um dia apenas, não desejaria felicidade maior.
- Pois bem! Troque de lugar comigo por um dia apenas e desfrute disso tudo. E então, no dia seguinte, Dâmocles foi levado ao palácio e todos os criados reais lhe puseram na cabeça as coroas de ouro. Ele sentou-se à mesa na sala de banquetes e foi-lhe servida lauta refeição. Nada lhe faltou ao seu bel-prazer. Havia vinhos requintados, raros perfumes, lindas flores e música maravilhosa. Recostou-se em almofadas macias. Sentiu-se o homem mais feliz do mundo.
- Ah, isso é que é vida! - confessou à Dionísio, que se encontrava sentado à mesa, na outra extremidade. - Nunca me diverti tanto.
De repente, Dâmocles enrijeceu-se todo. O sorriso fugiu-lhe dos lábios e o rosto empalideceu. Suas mãos estremeceram. Esqueceu-se da comida, do vinho, da música. Só quis saber de ir embora dali, para bem longe do palácio, para onde quer que fosse.
Percebeu, que  pendia bem acima de sua cabeça uma espada, presa ao teto por um único fio de crina de cavalo. A lâmina brilhava, apontando diretamente para seus olhos. Ele foi se levantando, pronto para sair correndo, mas deteve-se tremendo que um movimento brusco pudesse arrebentar aquele fiozinho fino e fizesse com a espada lhe caísse em cima. Ficou paralisado, preso ao assento.
- O que foi, meu amigo? - perguntou Dionísio - Parece que você perdeu o apetite.
- Essa espada! Essa espada! - disse o outro, num sussurro - Você não está vendo?
- É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar me matar. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito, para jogar o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para tomar-me o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser líder precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm  junto com o poder, percebe?
- É claro que percebo! - disse Dâmocles - Vejo agora que eu estava enganado e que você tem muitas coisas no que pensar além de sua riqueza e fama. Por favor, assuma o seu lugar e deixe-me voltar para a minha casa.
Até o fim de seus dias, Dâmocles não voltou a querer trocar de lugar com o rei, nem por um momento sequer.


Essa historia, conhecida como “O mito de Dâmocles” nos diz sobre muitas lições de vida e de comportamento, e de pelo menos duas regras de conduta das quais devemos estar atentos;
Primeiro sobre o desejo de assumir o lugar e os haveres de outras pessoas, as quais julgamos mais felizes que nós.
Cada um tem aquilo pelo qual luta e faz por merecer.
Segundo, que todo poder vem acompanhado de deveres e responsabilidades.
Nada há no que podemos que seja isolado do que devemos.
Não permitamos que o medo de chorar amanhã nos impeça de rir hoje!
Sejamos felizes hoje, principalmente com a felicidade dos nossos irmãos !!!
Ivan, 16 de maio de 2004




Títulos que proporcionaram crescimento.

  • Eclesíastes
  • O Pêndulo de Foucauld
  • Kon Tiki e Eu
  • The Ilustrated Man
  • Dom Quixote de La Mancha
  • O Nome da Rosa

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