TOLERÂNCIA
“É
necessário que possamos desenvolver a nossa capacidade de TOLERÂNCIA para que
possamos ter uma convivência mais harmônica em sociedade”.
Os assuntos
relacionados com processos comportamentais de convivência social ou de reações
individuais frente a conduta do ser humano tem tratamento e análises levadas a
efeito por especialistas das áreas científicas.
No
entanto, embora didaticamente tais temas pertençam a um grupo de estudiosos bem
preparados para estudos, análises e conclusões, o comportamento humano pertence
aos homens e mulheres comuns, a cada individuo que a todos instantes se vê envolvido nas situações de
convivência e, independentemente das teses acadêmicas e dos ensinamento dos
especialistas, precisam enfrentar as mais diversas situações surgidas nas
rotinas e surpresas que só a convivência em grupo pode oferecer.
Assim, longe
de qualquer pretensão acadêmica ou científica, cada pessoa procura encontrar a
melhor solução para cada problema que surge nos momentos de entraves ao bom
relacionamento com as pessoas que nos cercam.
Há muitos e
muitos anos a tradição e os bons costumes nos alertam que a TOLERÂNCIA é um dos
ingredientes imprescindíveis para a convivência pacífica entre as pessoas,
entre os povos, entre as nações.
A TOLERÂNCIA
é a faculdade de não reagir temperamentalmente contra os pensamentos palavras e
obras que, quando manifestadas por uma parte, deixam de ser aprovadas pela
outra parte de uma relação social.
Com efeito, a
TOLERÂNCIA não pode ser confundida com a PERMISSIVIDADE ABUSIVA, com a
negligência, com a omissão irresponsável.
A TOLERÂNCIA
tem correlação com a complacência, com a paciência, com a caridade que faz com
que a vida em grupo seja respeitosa. Daí
porque não há razão para se impor a TOLERÂNCIA contra ações que causam
prejuízos materiais ou morais aos outros e à sociedade.
Cada
indivíduo tem suas peculiaridades próprias, seus ideais, suas ambições, a
necessidade de ser reconhecido como ser único e o direito de agir de acordo com
a sua própria consciência, desde que suas ações não venham quebrar o regramento
social que assegura os mecanismos da convivência humana.
Ora se
devemos ser intolerantes contra os crimes, contra as injustiças, contra a
violência, contra a opressão, contra a desonestidade, deveremos ser
intolerantes contra os criminosos, contra aqueles que abusam do direito alheio,
contra os opressores e contra as pessoas que manifestamente prejudicam a
sociedade.
A TOLERÂNCIA
não pode se equiparar ao consentimento omissivo em favor do crime e do criminoso
– quem tolera a prática de um crime sem reagir em defesa da vítima, quem tolera
a prática de um crime omitindo-se na denúncia para a Autoridade Policial ou se
nega de prestar o seu testemunho para a formação do juízo de punição do culpado
também incorre em crime e pode até ser considerado como cúmplice do criminoso.
A TOLERÂNCIA
que se impõe, está acima das questões que ferem a lei e agridem a sociedade. A
TOLERÂNCIA não é servil ou imposta por interesses pessoais para conquistas de
vantagens materiais que exigem submissão e obediência dos despóticos.
A TOLERÂNCIA
se impõe sobre as questões que dizem respeito ao legítimo exercício da
cidadania, da liberdade individual que é assegurada a todos no cumprimento da
lei.
Assim, a
TOLERÂNCIA se impõe quanto questões ideológicas, quanto às questões religiosas
e quanto às teorias de vida que são manifestadas visando princípios sinceros na
busca do caminho da evolução.
A zona
fronteiriça entre a necessária TOLERÂNCIA e a imposição da inevitável resistência muitas vezes se transforma
em um paredão intransponível, fazendo com que a desarmonia e o conflito se
estabeleçam de forma implacável.
A TOLERÂNCIA
não é um atributo para o medroso, para o inseguro, para o ignorante e jamais
fará parte da conduta do desonesto, do corrupto, do ganancioso.
A TOLERÂNCIA
é mansa e não covarde. A TOLERÂNCIA é
solidária, alegre, cordial, elegante. A
TOLERÂNCIA exige dignidade, segurança e despojamentos para poder fazer parte
das características de um indivíduo. A TOLERÂNCIA é irmã gêmea da CARIDADE,
somente pode ser constatada junto com a lealdade de consciência. A tolerância é
sadia, jovial, arrojada.
Sobretudo a
TOLERÂNCIA é imprescindível para que haja a reflexão, a justa avaliação de cada
afirmativa ou atitude de julgamento de valores.
A TOLERÂNCIA é um privilégio do SÁBIO, que TOLERA a ignorância do mísero, que TOLERA a ira do arrogante, que TOLERA a prepotência do incauto, que TOLERA as suas próprias imperfeições mas, com harmonia
interna e com paciência e disposição busca
a iluminação pessoal e lucidez para todos que estão ao seu redor.