Tenho, ao longo de minha vida maçônica (14/11/81), refletido profundamente sobre essa frase, tão conhecida por todos nós, e freqüentemente pouco valorizada.
Será que temos cavado masmorras aos nossos vícios? Será que temos nos esforçado para tal? E na verdade, de que vícios falamos?
O ponto crucial de minhas reflexões sobre o tema, tem sido este; de que vícios falamos, de que vícios tentamos nos afastar, enterrando-os em masmorras? O vicio de comer gilós? ou o vício de dar topadas no canto do criado-mudo?
Quantas vezes nos debruçamos diante dos vícios concretos, como fumar, beber um pouco além da conta, etc.
Eu sei (passo por isto) que não é fácil deixar de fumar. Deixei o vício do cigarro no dia 9 de fevereiro de 1990, ás 09 h 35 min. Claro que sei exatamente quando foi, até hoje a dependência não me deixou! Tenho lutado contra este vício desde então, e cada dia é uma nova luta e uma nova vitória. As vezes me esqueço, mas muitas vezes me lembro dele, e tudo volta. Imagino as pessoas vitoriosas que não tem bebido há tantos anos, meses, dias e horas...
Mas ainda assim, são vícios concretos, cujas armadilhas são visíveis e podem ser afastadas, pois, se não podemos resistir às tentações, afastemo-nos delas. Eis aí algumas dificuldades que estão sempre por perto e podemos sempre nos afastar; cigarro, bebidas, jogos, e toda indução à dependência em que somos submetidos, até por força dos meios de comunicação.
Porém, deixar esses vícios, é fácil. Verdade, deixar de fumar, de beber, de jogar, é fácil. Sofra um naufrágio e fique 30 dias perdido no oceano, apenas com o equipamento de sobrevivência básico, que você deixa de fumar, de beber (álcool) e de jogar jogos de azar. É fácil.
Pois é, meus amados irmãos, fácil desse jeito!
Pois difícil mesmo, são os vícios que têm me atormentado, e que eu sei – agora sim – são os vícios difíceis (se não impossíveis) de serem enterrados em masmorras. São aqueles que não vemos, ou não queremos ver, e por isso mesmo, difíceis de serem afastados! São os nossos vícios comportamentais. São os vícios de comportamento, de relacionamento, de postura, e muitas vezes, nossos vícios de caráter. Esses aí, são os difíceis, e por isso mesmo, são os que devemos combater incessantemente. São os vícios que sobrevivem, dentro de nós, mesmo que saibamos deles e não os enfrentemos. São os terríveis. Daí eu dizer que deixar de fumar, de beber e de jogar, é fácil. Fácil se comparado com os nossos vícios de comportamento. Lutar contra um inimigo real, concreto, na verdade não é fácil, é possível. Lutar contra um inimigo que não podemos (ou não queremos) ver, é muito difícil, quase impossível.
Quantas vezes, somos dependentes do vício de imaginar que somos melhores que os outros, pensando sempre que podemos fazer melhor do que alguém fez.
Quantas vezes, somos dependentes do vício de julgar que nossas falhas foram cometidas por culpa de alguém, seja lá que for, que nos induziu ao erro.
Quantas vezes, atribuímos à alguém, a culpa pelos nossos erros.
Quantas vezes, somos acometidos do vício de impor a nossa vontade à outras pessoas, muitas vezes da nossa própria família.
Quantas vezes somos dependentes do vício da intolerância.
Nos julgar melhor que outros, atribuir a culpa dos nossos erros à outros, comportamento totalitário, intolerância, não é vicio??? Como não? Basta olhar em qualquer bom dicionário, para ver que essas imperfeições de caráter são exatamente encaixadas na acepção de vício.
Assim, somos todos, de uma forma ou de outra, viciados. Mesmo sem querer, nos encaixamos no conceito de vício! E o pior, é que se não fizermos uma analise rigorosa dos nossos comportamentos, podemos ser viciados e não nos darmos conta disto.
Mas ser portadores desses vícios é tão ruim??? Na verdade é muito pior que isso.
Quando somos dependentes do cigarro, da bebida e do jogo, agredimos, magoamos, e ofendemos a nós mesmos, a nossa saúde e estabilidade emocional. Nossos familiares mais próximos, à nossa família na sua totalidade, e nossos amigos e relacionados, e finalmente à comunidade em que nos inserimos.
Quando somos viciados em atitudes nocivas de comportamento ou caráter, os mais prejudicados são as pessoas que nos cercam, familiares, amigos, relativos, e comunidade. Muitas vezes nem nos damos conta de nossos vícios (terríveis) de comportamento, porque não somos atingidos diretamente. Apenas percebemos que as pessoas se afastam de nós, que não conseguimos manter relacionamentos de amizade sincera, que freqüentemente somos assolados por crises de culpa e não temos ninguém à quem recorrer. Muitas vezes, somos tão amados, que – mesmo sendo agressivos por intolerância ou outros mecanismos de defesa e agressão como forma de proteção pessoal – somos mantidos e aceitos, apesar da nossa agressividade.
Meus amados irmãos, fiquemos alertas! Os vícios de comportamento e caráter, são mais perigosos, pois são abstratos. A cada dia devemos buscar em nosso íntimo, onde se escondem os demônios comportamentais dentro de nós, e lutar contra eles.
José Ivan Abeid Viveiros
maio/2005
Nenhum comentário:
Postar um comentário